sábado, 10 de agosto de 2013

AUTÁRQUICAS 2013 - Notas de Campanha


Nota 7 - Baralhar e Voltar a Dar, ou o Resumo de Coisa Nenhuma! - 1ª parte

Prometi a mim mesmo não enveredar pela chicana política, como é frequente em situações de campanha eleitoral. Procurarei ser tão isento quanto possível, como se não conhecesse ninguém e valendo-me das informações que as diversas candidaturas vão distribuindo. Reagirei como cidadão interessado, mas, por hipótese, recém-chegado, que desconhece os candidatos e que não está vinculado a qualquer partido político.

Julgo haver muitos eleitores em circunstâncias semelhantes: as centenas de idosos que se recordam, apenas, do político que os levou a passear ou organizou "aquela festa", aqueles que votam porque o candidato é do "Porto", ou é do "Benfica", ou ainda aqueles que entendem dever agradecer "aquele beneficiozinho" ou a "ajuda social" que um tal lhes arranjou ou concedeu.

Obviamente que não é este o meu caso, mas, se fosse, em quem votaria eu? Nalgum dos referidos? No partido em que sempre votei? Num tal, de não sei quantos, que nem conheço? Ou não votaria, sequer? Se calhar, nem me daria ao trabalho de lá ir e viajaria até à praia ou ficaria em qualquer lado a ver TV e a beber uma cerveja fresca.

A verdade é que entre 30% a 40% dos eleitores abstêm-se, o que, curiosamente, não preocupa muito os candidatos!

As eleições no Poder Local têm características próprias. Em primeiro lugar os candidatos são, geralmente, pessoas que, numa oportunidade qualquer anterior, conhecemos. Alguém com quem falámos quando lá fomos tratar do assunto do jazigo ou da licença do cão e que, a partir dessa altura passamos a cumprimentar quando nos cruzamos na rua.  Mas quem os conhece efectivamente bem são os seus sequazes, mas, sobretudo, os seus inimigos políticos.
Em segundo lugar, há as promessas ou, no minimo, as suas propostas. Geralmente promete-se "este mundo e o outro", porque uma coisa é prometer e outra é pagar a promessa. Aliás, nunca há dinheiro para pagar nada, a não ser os próprios vencimentos - o trabalho autárquico não é gracioso (poucos seriam os voluntários!), mas profissionalizado - e o que resta, pouco mais dá do que para tapar uns quantos buracos, aqui e acolá.

O Orçamento da Freguesia de Alfena ronda os € 300.000,00, 43% do qual se destina a "consumo próprio", que é como quem diz, a pagar aos autarcas e aos funcionários.

Em terceiro lugar há essa "coisa" que se chama "Poder"! Poder influenciar uma decisão neste ou naquele sentido! Poder dizer sim ou dizer não! Facilitar a vida de um cidadão ou transformá-la num inferno! Enfim, poder ser um "pequeno ditador" e regozijar-se com isso.

Para podermos votar em consciência - nós que fazemos parte dos 60% ou 70% que cumprem esse Dever ou exercem esse Direito (como se queira entender) - temos mesmo de conhecer as pessoas em quem vamos votar, as suas qualidades e também, os seus defeitos, para não corrermos o risco de darmos poder - o tal Poder - a quem o não merece.

Como seres humanos que os candidatos são, poderão falhar no seu munus, mas é nossa obrigação - não esquecendo que, no Poder Local o que é comum, interessa a todos - evitarmos , empenhadamente, que isso aconteça.

Em Alfena, as primeiras figuras em presença são:
          CDU(PCP/Os Verdes)    - Francisco Gouveia
          PS                                - José Luis Marques
          PSD/PPM                     - Guilherme Roque
          UPA                              - Arnaldo Soares
E, por hoje, por aqui me fico.

sábado, 3 de agosto de 2013

AUTÁRQUICAS 2013 - Notas de Campanha

Nota 6 - Associação Coragem de Mudar - A Não Candidatura

Como é do conhecimento geral - pelo menos de todos quantos acompanham a política valonguense - a Associação Coragem de Mudar nasceu na sequência das eleições autárquicas de 2009, em que um grupo de cidadãos, reunido em torno de Maria José Azevedo, conseguiu fazer eleger alguns dos seus para a Câmara (dois Vereadores), para a Assembleia Municipal (seis Deputados Municipais) e alguns membros (dois, em Alfena) para as assembleias das várias freguesias.

Surgiu a ideia de manter vivo o Movimento, através de uma associação cuja finalidade se definiu estatutariamente como "a promoção do desenvolvimento social, cultural e económico e, também, a participação cívica e política de cidadãos eleitores". Redigiram-se os Estatutos e elegeram-se Corpos Sociais mas, à medida da passagem do tempo, o entusiasmo foi diminuindo e a assiduidade foi rareando.

Alguns diferendos internos que não vêm agora ao caso, geraram incompatibilidades insanáveis, a última das quais surgiu na sequência de um contacto do Partido Socialista para a análise e estudo de um eventual acordo de incidência eleitoral. Tratando-se de matéria da competência da Assembleia da Associação, foi convocada uma Assembleia Geral Extraordinária para debate e decisão sobre o assunto. A Assembleia recusou, por maioria, quaisquer conversações com o Partido referido.

Seguiu-se uma reunião alargada dos Corpos Sociais para decidir qual o tipo de intervenção política possível, tendo em conta as circunstâncias. Desde logo ficou arredada a possibilidade de concorrer com listas próprias, por razões, sobretudo, de carácter financeiro. Entendeu-se, então, dar inteira liberdade de acção aos associados, desaconselhando-se, embora, qualquer colaboração com o PSD e o CDS-PP, conforme comunicado que, a seguir, se transcreve.

Posição da
Associação Coragem de Mudar
relativamente às próximas eleições autárquicas

1. A Direcção da Associação Coragem de Mudar está impedida, por deliberação da respectiva Assembleia-Geral ocorrida no dia 16MAR2013, de realizar acordos de carácter eleitoral com quaisquer partidos, imposição que cumprirá escrupulosamente, apesar das legítimas dúvidas que tem sobre a legalidade de tal deliberação. Isso não a impede de comunicar a sua posição sobre o acto eleitoral autárquico que se aproxima.
2. Perante as especulações que circularam e continuam a circular relativas a um propalado acordo da Direcção da Coragem de Mudar com o PS (com a distribuição de lugares elegíveis...), queremos reafirmar que tal acordo nunca existiu, nem houve promessas ou distribuição de lugares elegíveis ou não elegíveis. O que claramente houve foi uma mentira manipulada por gente interessada em desestabilizar candidatos e candidaturas e que, não tendo coragem ou não convindo aos seus interesses imediatos exibir o seu apoio incondicional ao PSD (que sempre disseram combater), inventaram esta forma ínvia de atingir os seus objectivos.
3. Face às candidaturas à Câmara de Valongo e aos diversos Órgãos do poder autárquico do nosso Concelho até agora conhecidas, a Direcção da Associação Coragem de Mudar declara que, do seu ponto de vista: a. É totalmente inviável patrocinar uma candidatura independente, pelo menos abrangendo todos os órgãos autárquicos; b. Todos os associados, bem como os membros dos corpos sociais, possuem total autonomia para, de forma inteiramente livre, integrarem, como independentes ou vinculando-se formalmente, se o acharem mais útil, as listas para quaisquer órgãos das freguesias, da Assembleia Municipal ou da Câmara;
4. Por outro lado e em coerência com a sua posição de sempre, a Direcção da Associação Coragem de Mudar assume a responsabilidade de desaconselhar vivamente -- pelas mesmas razões que nos moveram em 2009 e que não se extinguiram, antes pelo contrário, são agora mais vivas do que então, até porque não nos vendemos a ninguém -- a integração de listas apresentadas pelas forças políticas que ao longo dos últimos anos conduziram Valongo à situação de verdadeiro desastre em que se encontra – o PSD e o CDS-PP.
5. Por último, a Direcção declara que, mantendo-se a Associação equidistante das diversas candidaturas e portanto afastada da negociação directa com qualquer força política, não deixará no entanto de seguir atentamente a correlação de forças em relação à integração de associados nossos, reservando-se o direito de se pronunciar de forma crítica, sempre que razões de relevo indiciem um posicionamento dos mesmos não consentâneo com aquilo que consideramos ser o nosso valor e a nossa capacidade de ajudar a valorizar qualquer lista de candidatura em benefício das populações do nosso Concelho. 

Valongo, 24 de Maio de 2013
Pela Direcção
José Bandeira

Durante os últimos quatro anos assisti, praticamente, a todas as Assembleias de Freguesia, não me recordando de ter faltado a nenhuma delas. No que respeita às reuniões da Junta de Freguesia, já assim não foi. Como, propositadamente, não eram trazidos, às reuniões públicas, os assuntos verdadeiramente importantes, deixei, a partir de determinada altura, de marcar presença.

É minha profunda convicção de que a Associação Coragem de Mudar teve sempre um comportamento exemplar em termos de Democracia Representativa. Como já AQUI foi referido, foi graças à nossa Associação que o Executivo ainda em funções se viu obrigado a respeitar a Oposição, apesar de possuir maioria absoluta.

Acresce, por aquilo que pude ir apreciando, não abundarem políticos de qualidade elevada na nossa Freguesia, razão pela qual estou plenamente convencido de que a ausência de elementos da Associação é uma menos-valia para Alfena.

Todavia, as coisas são como são! Iremos assistir a mais quatro anos de pequenas intrigas, "tricazinhas", discussões por coisa nenhuma, decisões por maioria de votos - que é coisa que, no Poder Local, tem pouco de científico "porque o que é comum interessa a todos" - continuando-se a não pensar na cidade que queremos para daqui a 50 anos - moderna, planeada, com boa construção de bela arquitectura, isenta de poluição, limpa, asseada, interessante de ser vista e de nela se viver, com passado conservado e não destruído, boas áreas verdes, enfim, aquilo que hoje em dia, se apelida de cidade sustentável. 

J Silva Pereira

PS - Este texto, com algumas adaptações, foi publicado também no blogue "Valongo da Liberdade"

quarta-feira, 31 de julho de 2013

AUTÁRQUICAS 2013 - Notas de Campanha

Nota 5 - Os Candidatos

"O Mundo Moderno divide-se entre Progressistas e Conservadores. O papel dos Progressistas é cometer erros continuamente. O papel dos Conservadores é evitar que os erros sejam corrigidos.
G. K. Chesterton

terça-feira, 30 de julho de 2013

AUTÁRQUICAS 2013 - Notas de Campanha

Nota 4 - CDU

No Centro Cultural de Alfena e com a presença do candidato à Câmara Municipal de Valongo, Adriano Ribeiro, foi formalmente apresentada, no passado dia 28, a candidatura da CDU à Freguesia de Alfena.

Lidera-a Francisco Gouveia que fez um discurso-programa e do qual retirarei o resumo das suas propostas.

Referiu que "Alfena precisa da CDU, a única força política que lutou contras as portagens e que lutou e continua a lutar contra a a extinção de freguesias". Adiantou, depois, uma série de propostas que passamos a citar:

Saneamento e abastecimento público de água.

Lutará para que não haja ruas em Alfena, sem estes dois serviços básicos.

Centro de Saúde

O actual tem difícil acesso. Lutará pela construção do novo Centro, cujas obras tardam em arrancar.

Unidade de Cuidados Continuados

Lutará pela criação de uma, a fim de evitar que os idosos sejam colocados, em fim de vida, longe dos seus familiares.

Habitação Social

Lutará para que se construa habitação social.

Urbanismo e Ambiente

Pergunta para quando é a construção do Centro Cívico.

E entende, também, ser chegada a hora das forças políticas pressionarem os Órgãos do poder para que se obrigue a EDP e as empresas telefónicas a encontrarem uma solução para a questão dos fios não enterrados.

Cultura e Desporto

Diz ser urgente dar vida à Casa da Juventude, reforçar o apoio às colectividades e exigir dos órgãos autárquicos que se construa uma pista de corrida integrada num parque de lazer.

Serviços Postais

Continuará a lutar contra o encerramento da única estação dos CTT da cidade.

(Elementos retirados do blogue "CDU Faz Falta a Valongo")

segunda-feira, 15 de julho de 2013

AUTÁRQUICAS 2013 - Notas de Campanha

Nota 3 - PS

Na constante pesquisa que venho fazendo pelo ciberespaço dos assuntos relacionados com os candidatos às Autárquicas 2013, encontrei uma entrevista dada, em Janeiro passado, por José Luis Marques ao Jornal Novo de Valongo, na qual o entrevistado se assumia já como candidato à presidência da Junta de Freguesia de Alfena. Vou valer-me dela para registar aqui as suas propostas.

José Luís Marques tem ligação antiga e conhecida ao PS, tendo pertencido à Assembleia de Freguesia na década de 1980. Foi dirigente da Associação de Pais da Escola EB2,3, Presidente da Mesa da Assembleia Geral e Representante dos Pais no Concelho Pedagógico. 93% dos militantes dos PS alfenense votaram nele para esta candidatura.  

José Luís Marques, na entrevista referida, diz candidatar-se por acreditar de que só uma "mudança na liderança da cidade de Alfena pode trazer mais esperança à Freguesia, que merece muito mais e melhor". Acrescenta que há necessidade de "pessoas mais transparentes nos actos e mais corajosas nas reivindicações" . Sente, como natural de Alfena, que "pode fazer melhor". Assegura que "tratará todos de modo igual, sejam pobres ou ricos e independentemente da ideologia que professem"

Considera a vida política de Alfena dos últimos anos "quase uma novela de luta pelo poder". Fazem promessas que "ficam na gaveta". "Não contem comigo para fazer promessas até Outubro e, depois, metê-las na gaveta", acrescenta.

Refere que a Câmara tem sido "madrasta", pelo pouco investimento canalizado para Alfena. Apesar disso, entende que os Alfenenses se sentem solidários com as demais freguesias e com a Sede do Concelho e não desligados, como, por vezes, se fala.

Acusa a actual Junta de ter, na oportunidade, ridicularizado a proposta de elevação de Alfena a cidade, todavia aproveitando-se depois, festejando o acontecimento. E, embora a nova condição não traga, por si só, benefícios directos, não há dúvida que cria novas condições de atracção, quer de serviços públicos, quer de empresas privadas. Dando maior visibilidade aos seus problemas, gera mais poder reivindicativo.

Diz-se favorável à instalação de empresas que criem emprego real e não compreende porque não é dinamizada a Zona Industrial do Barreiro. Por outro lado, não sendo favorável à especulação imobiliária, acha que a autarquia deve envolver-se nos projectos, como parte interessada.

No que respeita às acessibilidades, entende que Alfena está razoavelmente servida e bem relacionada com as freguesias adjacentes. Dentro da cidade, porém, acha que há muito que fazer, sobretudo quanto a passeios e passadeiras. Entende que a Câmara deve ter especial atenção nas questões relacionadas com quem tem mobilidade reduzida.

Quanto à criação do Centro Cívico de Alfena refere que deve voltar a ser uma prioridade, aliada à construção de áreas de lazer e prática de desportos radicais.

Propostas ou O Que Pensa Sobre:

Educação

"Uma melhor atenção para as escolas" e, curiosamente, "que se não sacrifiquem verbas orçamentais a estas destinadas para custear sonhos futebolísticos"
Acredita "nos processos educativos que estimulem uma maior interacção entre as instituições de educação, a população e a Junta".

Ambiente

Correcção de problemas de saneamento, o desassoreamento do Rio Leça, eliminação das ligações clandestinas ao rio, recuperar as levadas e moinhos.
Desmistificar a afirmação de que o saneamento básico está, em Alfena, resolvido.
Encarar o Rio Leça como uma mais valia. 

Água e Saneamento

Exigir "a cobertura da cidade com essas infra-estruturas"

Associativismo e Organizações Locais

"Regras claras e realistas nos apoios a conceder ao movimento associativo"
Estimular " o aparecimento de novas organizações que potenciem a vida comunitária"

Centro Cultural de Alfena 

"Estrutura que deve ser melhor dinamizada e aproveitada"

Apoio Social

"É uma área importantíssima. A Junta deverá saber estabelecer e gerir parcerias com as instituições que já funcionam: AVA e CSPA".

Fazer diferente 

"Darei acesso livre a todos os documentos que devem ser públicos, sem necessidade de registos prévios"
"Vamos avançar com os Orçamentos Participativos"
"Quem me conhece sabe bem que gosto de colaborar e participar em projectos úteis à nossa comunidade e por isso trabalharei com todos os que queiram, de boa fé, ajudar a afirmar Alfena e o valor dos Alfenenses"

segunda-feira, 8 de julho de 2013

AUTÁRQUICAS 2013 - Notas de Campanha

Nota 2 - PSD

Se não erro, foi a 2ª. formação política a publicitar a sua candidatura às Autárquicas deste ano. Realizou um comício-festa exactamente ontem, dia 7 de Julho, no jardim do Centro Cultural de Alfena. Na véspera, o candidato à presidência da Câmara Municipal de Valongo, havia, por sua vez, apresentado publicamente a sua candidatura no Forum Cultural de Ermesinde.

O candidato à Junta de Freguesia de Alfena é Guilherme Roque, pessoa bem conhecida dos alfenenses. Já presidiu à Junta em 5 mandatos - de 1985 a 2005, praticamente 20 anos de presidência - tentando, agora, no ano em curso, o regresso à vida política activa.

Não tenho recebido, na minha caixa de correio, qualquer informação do PSD alfenense. A pesquisa na Internet foi infrutífera, bem como no Facebook. Pelas razões apontadas, desconheço completamente as propostas eleitorais de Guilherme Roque as quais, em futuro breve, gostaria de analisar, comparando-as, com as dos restante candidatos. 


Recordo que, no seu comício-festa de apresentação - onde me encontrava, não muito longe do Centro Cultural, pude ir ouvindo uma e outra coisa do seu discurso -  não fez promessas, alegando as dificuldades financeiras do Município e do País. Lembrou, porém, aos presentes que outros apareceriam a fazê-las, mas que, com probabilidade, as não cumpririam.

Todavia, propostas não são promessas! Não é possível uma escolha consciente, sobretudo a nível local, se não se conjugarem, pelo menos, duas situações: conhecermos o candidato e sabermos aquilo que propõe (que é mais importante do que aquilo que promete).

J Silva Pereira 

quarta-feira, 3 de julho de 2013

AUTÁRQUICAS 2013 - Notas de Campanha

Nota 1 - Unidos por Alfena

Penso que foi a primeira formação política de Alfena - trata-se de um grupo de cidadãos - a anunciar a sua candidatura. Pessoa amiga reencaminhou-me uma sms pela qual se informava da inauguração, a 9 de Março, da respectiva sede e se apelava, para esse dia, à comparência dos amigos.

Os UpA são (ou foram) uma dissidência do PSD alfenense e estão na Junta desde Outubro de 2005. Foram a votos intercalares em Janeiro de 2009 e em Setembro do mesmo ano, concorreram de novo, ganhando a Junta com maioria absoluta, depois de uma apressada troca da primeira figura.(1)

Inchados com a vitória, implantaram na política local aquilo que eu, em certa ocasião, apelidei de Democradura, ou seja e parafraseando um Rei da França, "A Lei sou eu", no dizer do Presidente da Junta.

Com o tempo, a manifesta arrogância foi-se esbatendo, mais pela firmeza da Oposição - sobretudo da Coragem de Mudar - do que por mérito próprio, quase não reagindo quando, na última sessão da Assembleia de Freguesia, com o grupo já politicamente esfrangalhado, ouviram aquela mesma Coragem de Mudar afirmar que era executivo que não deixava saudades e que, sem honra nem glória, rapidamente desapareceria da memória colectiva
     
Entretanto, a desistente primeira figura acima referida - Arnaldo Soares - reaparecera, nas autárquicas de 2009, mas na lista da Câmara e reintegrado no PSD. Durou, por lá, apenas dois anos. Titular do Pelouro das Finanças da Câmara de Valongo, de tal maneira se mostrou incompetente que o, então Presidente, Fernando Melo, avocou o Pelouro, limitando-o ao Conselho de Administração dos SMAES onde, como se sabe, não se faz nada. Ressentido, demitiu-se. É esta mesma figura que, este ano, concorre, de novo (já concorrera em 2005), à presidência da Junta.

Muita água passou já sob a ponte do Rio Leça desde que o ora candidato espetou a faca da traição nas costas do então presidente, Guilherme Roque. Depois, seguiu-se uma série de negociatas, em perfeita união, entendimento e sintonia com o seu mandatário financeiro, um conhecido "arquitecto/engenheiro" e um vereador valonguense tanto ou mais ganancioso que ambos.
Uma pessoa que me merece imensa consideração disse-me, há pouco tempo, que o que mais temia era a iliteracia política dos eleitores. Tenho esperança de que, apesar da iliteracia, os eleitores alfenenses tenham o bom senso de arredarem do poder estas tristes figuras, se possível, de uma vez por todas. De qualquer maneira, mesmo que vençam, não vão ter vida fácil. Há muita, muita gente, que não vai deixar tal!

J Silva Pereira

(1) Actualização em 02/08/13 19:39 - Corrigido todo o período, na sequência de um comentário.

sábado, 29 de junho de 2013

Assembleia de Freguesia de 28 de Junho

Foi mais uma Assembleia pacífica, sem grandes preocupações de agenda, característica do período de pré-férias, mas já com o pensamento nas próximas eleições.

No Período de "Antes da Ordem do Dia" a Coragem de Mudar procedeu à leitura de dois documentos. No primeiro, uma Declaração Política, teceu algumas considerações sobre a acção da Junta de Freguesia durante o mandato, rematando ter-se tratado de um Executivo que "não deixa saudades e que, sem honra nem glória, desaparecerá rapidamente da memória colectiva", ao que, na oportunidade, responderia o Sr. Presidente que "o Tempo se encarregaria de desmentir tal afirmação"

Mais adiante, no mesmo documento, a Coragem de Mudar listou um conjunto de acções que veio desenvolvendo ao longo do tempo - de que sobressaem a luta desencadeada pelo cumprimento do Estatuto do Direito da Oposição, incluindo o direito de Consulta/Audição Prévia, a luta pela correcta elaboração dos documentos (previsionais e de prestação de contas), a luta pela publicitação tempestiva e faseada da evolução do PDM, e a eliminação da inibição do livre acesso à documentação relevante através do sítio da Junta.

Com o segundo documento foram colocadas algumas "Questões" no intento de saber quais as diligências levadas a cabo pelo executivo relativamente ao constrangimento causado à  movimentação dos peões nas obras em execução - muito lenta, por sinal - relacionadas com o arranjo dos acessos ao terreno destinado ao novo Centro de Saúde e loteamento anexo,  qual a actual situação do problema do "afunilamento" do passeio da Rua 1º. de Maio defronte à Estação de Serviço da BP, e, nesta mesma rua, o porquê da demora na construção dos cerca de 700m de passeio, há muito prometidos, bem como a actual situação da reparação de variados passeios existentes em mau estado por toda a Cidade. 

Questionou, finalmente, a Coragem de Mudar" das razões do não cumprimento de promessas eleitorais dos "Unidos por Alfena, algumas das quais remontando a 2005, nomeadamente o pavilhão multiusos, o passeio pedonal ao longo do Leça, a nova área pública de lazer, o PUCCA, e a colocação do mini-autocarro ao serviço da população com dificuldades de mobilidade.

Fui curta a resposta do Sr. Presidente, referindo a ausência de verbas, quer a nível camarário, quer a nível da Junta.

No "Período da Ordem do Dia", não houve intervenções, quer relacionadas com a acta da Assembleia anterior, quer com a Informação Escrita do Presidente. Quanto a esta, apenas uma observação avançada pelo Deputado Avelino de Sousa - e, também, pelo Deputado Joaquim Penela - sobre uma divergência de datas relativa à acção de limpeza do Rio Leça, actualmente em curso.

No Período destinado ao Público, interveio um cidadão sobre um assunto de carácter pessoal, que o Sr. Presidente elucidou, ao que parece, convenientemente.

J Silva Pereira

sábado, 15 de junho de 2013

Tributo a Dominique Venner

TRIBUTO A DOMINIQUE VENNER

Alain de Benoist

Com a devida vénia a Legio Victrix

As razões para viver e as razões para morrer são muitas vezes as mesmas. Foi, definitivamente, o caso de Dominique Venner, cujo gesto teve por objectivo pôr a sua vida e a sua morte em profundo acordo. Disse que escolhia morrer da maneira que era a mais honrada em certas circunstâncias, particularmente quando as palavras se tornam impotentes para descrever e para expressar o que sentimos. Dominique Venner morreu como viveu, com a mesma vontade e a mesma lucidez. O mais notável, para todos quantos o conheceram, foi ver como toda a trajectória da sua existência é uma linha pura e recta, uma linha perfeita, de extrema rectidão.

Honra acima da Vida 

O gesto de Dominique Venner é, obviamente, uma acção ditada por um sentido de honra, honra acima da vida, e mesmo aqueles que, por razões pessoais ou outras, se opõem ao suicídio, mesmo aqueles que, diferentemente de mim, não o acham admirável, devem ter respeito pelas suas acções, porque devemos ter respeito por tudo que é feito a partir de um sentido de honra.

Não falo de política. Já em Julho de 1967, Dominique Venner rompera com qualquer forma de acção política. Era um observador cuidadoso da vida política, e, é claro, deu a conhecer os seus sentimentos. Mas penso que o que era essencial para ele estava noutro lugar, como amplamente demonstrado por muitas coisas já ditas.

Dominique Venner punha a ética acima de tudo, e esta era já a sua perspectiva enquanto jovem activista. Assim permaneceu, quando, gradualmente, o jovem activista se tornou historiador, um historiador meditativo, como ele próprio disse. Dominique Venner era bastante interessado nos textos homéricos, a Ilíada e a Odisseia, nos quais via a fundação da grande tradição imemorial europeia, primariamente por razões éticas: os heróis da Ilíada jamais ensinam lições morais, eles dão exemplos éticos, e a ética é inseparável, evidentemente, da estética.

O Belo determina o Bom

Dominique Venner não era daqueles que crêem que o bom determina o belo, era daqueles que consideram que o é belo que determina o bom. Acreditava que juízos éticos que põem os homens em evidência não são tão baseados nas suas opiniões ou ideias, mas sim são função das suas qualidades superiores ou inferiores de ser, e, sobretudo, na qualidade humana quintessencial(1) que ele resumiu numa palavra: comportamento.

Comportamento

Comportamento, que é um modo de ser, um modo de viver, e um modo de morrer. Comportamento que é um estilo, o estilo a que ele, de modo tão belo, se referiu em O Coração Rebelde, um livro publicado em 1994, e, é claro, em todas as suas obras, especialmente no livro publicado em 2009 sobre o escritor alemão Ernst Jünger. Nesse livro, Dominique disse muito claramente que se Jünger deu, e dá, um grande exemplo, não o faz, apenas, através de seus escritos, mas também porque esse homem, que teve uma vida longa, falecendo com 103 anos de idade, jamais falhou na busca do comportamento.

Dominique Venner foi um homem discreto, atencioso e exigente - exigindo de si mesmo em primeiro lugar. De alguma forma havia interiorizado todas as regras do comportamento: jamais abandonar, jamais desistir, jamais explicar, jamais reclamar, porque o comportamento (tenue) traz à mente e deriva de reserva(2) (retenue). Obviamente, quando falamos sobre tais coisas, devemos parecer marcianos para muitos habitantes desta era de smartphones e Virgin Megastores. Falar de equanimidade, nobreza de alma, altivez mental, comportamento, é empregar palavras cujos próprios significados escapam a muitos, e é por isso que os filisteus e liliputianos - aqueles que escrevem essas notas paroquiais para os bem-pensantes que os media se tornaram hoje - foram incapazes, de um modo geral, de compreender o próprio sentido de seu gesto, que tentaram reduzir a considerações medíocres.

Um Modo de Protesto Contra o Suicídio da Europa

Dominique Venner não era nem um extremista nem um niilista, e, acima de tudo, jamais caiu em desespero. De facto, as suas longas reflexões históricas levaram-no a desenvolver um certo tipo de optimismo. Sustentava que a história é imprevisível e sempre aberta, e que ela tanto faz os homens como é feita pelos homens. Dominique Venner rejeitava todo o fatalismo, todas as formas de desespero.

Não foi suficientemente notado que, paradoxalmente, o seu desejo de se suicidar foi um modo de protestar contra o suicídio, um modo de protestar contra o suicídio da Europa que ele observava há tanto tempo.

Um Suicídio de Esperança Racional como Acto Fundacional

Dominique Venner simplesmente não podia suportar que a Europa, a sua pátria que ele amava, se desvanecesse aos poucos da história, esquecida de si mesma, esquecida de sua memória, do seu génio, da sua identidade, de alguma forma drenada da energia pela qual ela foi conhecida através dos séculos. Não tendo podido suportar o suicídio da Europa, Dominique Venner opôs o seu próprio, pois não foi um suicida do colapso ou da resignação, mas sim um suicida da esperança.

A Europa, disse Dominique, está adormecida. Ele queria despertá-la. Queria, como disse, mobilizar consciências entorpecidas. Devemos ser muito claros neste ponto: não houve qualquer desespero no gesto de Dominique Venner. Houve um chamamento à acção, ao pensamento, à continuação. Ele disse: eu dou, eu sacrifico o resto de minha vida num acto de protesto e de fundação. Devemos agarrarmo-nos à sua palavra "fundação". Essa palavra "fundação" foi-nos concedida por um homem cuja última preocupação foi morrer de pé.

Um Samurai Ocidental(3)

Dominique Venner não era um nostálgico, mas sim um verdadeiro historiador, obviamente interessado no passado, mas com uma visão do futuro; não estudava o passado como refúgio, simplesmente sabia que os povos que esquecem o seu passado, que perdem toda consciência do seu passado, ficam, consequentemente, privados de um futuro. Não se pode ter um sem o outro: o passado e o futuro são duas dimensões do momento, nenhuma mais importante que a outra: dimensões de profundidade.

Nesse processo, Dominique Venner guardava, certamente, um elevado número de memórias e de imagens. Dos heróis e dos deuses homéricos, dos antigos romanos, aqueles que o precederam no caminho da morte voluntária: Catão, Séneca, Régulo, e muitos outros. Tinha em mente os escritos de Plutarco e as histórias de Tácito. Tinha em mente a memória do escritor japonês Yukio Mishima, cuja morte é em muitas maneiras similar à sua própria. Não é, certamente, uma coincidência que seu último livro, que brevemente aparecerá (por acção de Pierre-Guillaume Roux(4)), se intitule Um Samurai Ocidental!

E na capa desse livro, Um Samurai Ocidental, nós vemos uma imagem, uma impressão, uma gravura famosa: "O Cavaleiro, a Morte e o Diabo", de Albrecht Dürer. Dominique Venner escolheu deliberadamente essa gravura. Algum tempo atrás, Jean Cau devotou à figura do cavaleiro um maravilhoso livro que, igualmente, se intitulava O Cavaleiro, a Morte e o Diabo. Num dos seus últimos artigos, escrito apenas alguns dias antes de sua morte, Dominique Venner prestou tributo a esse mesmo cavaleiro que, nas estradas e encruzilhadas, continuava a rumar ao seu destino e ao seu dever, entre a morte e o diabo.

"O Cavaleiro, a Morte e o Diabo": Desenhado por Dürer em 1513

Nesse artigo, Dominique Venner refere um aniversário. Foi em 1513, exactamente 500 anos antes, que Dürer criou essa gravura, "O Cavaleiro, a Morte e o Diabo", e essa referência deu-me uma ideia bastante simples que qualquer um poderia ter: reparei nas datas de nascimento e morte de Albrecht Dürer, o homem que desenhou "O Cavaleiro, a Morte e o Diabo", exactamente há 500 anos, e percebi que Dürer nasceu em 1471. A 21 de Maio de 1471. Dürer nasceu em 21 de Maio e Dominique Venner escolheu morrer em 21 de Maio. Se isso é uma coincidência, ela é extraordinária, mas ninguém é forçado a crer em coincidências.

O Coração Rebelde Sempre Estará Lá

É isso que eu gostaria de dizer em memória de Dominique Venner, agora já ido para a grande caçada selvagem, num paraíso onde se podem ver, voando, os gansos selvagens. Aqueles que o conheceram - e eu privei com ele durante 50 anos - aqueles que o conheceram provavelmente dirão que perderam um amigo. Mas eu penso que estão errados. Pelo contrário, acredito que deveriam saber que, desde 21 de Maio de 2013, às 2:422 p.m.(5), ele necessariamente sempre estará lá. Lá, junto dos corações rebeldes e espíritos livres que sempre enfrentaram a eterna aliança dos Tartufos, Trissotins e Torquemadas

(1) Na tradução brasileira
(2) No sentido de discrição, modéstia, moderação
(3) Tanto quanto sei, o título, em Portugal, será: Um Samurai do Ocidente.
(4) Julgo que se trata do editor francês.
(5) A hora está, claro, erradamente escrita na tradução brasileira. Da pesquisa que fiz apenas pude concluir que o suicídio ocorreu entre as 14H00 e as 16H00.

NOTAS

Desconheço a data em que o texto foi escrito por Benoist. Resolvi datar o postal de 15 de Junho, pese o facto do Legio Victrix o ter publicado em 12 de Julho. Sucede que tenho interesse especial em iniciar uma série de postais a partir do início de Julho, cuja sequência não gostaria de quebrar.

Alterei, em muitos pontos e quiçá de forma imprudente, a tradução brasileira. Foi com a melhor das intenções, procurando torná-la mais acessível aos leitores de português europeu. Fi-lo, evidentemente, sem ter presente o texto original e, por isso, desconheço se interpretei bem o pensamento de Alain de Benoist através da tradução a que recorri. Peço que me desculpem e, de qualquer modo, toda a crítica será bem-vinda.
PdL  

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Efeitos da Globalização

Bancos voltam a subir juros às empresas e investimento afunda

Marta Marques Silva, in Diário Económico, com a devida vénia

A taxa de juro do crédito às empresas voltou a subir em Abril. O custo do financiamento bancário para as empresas portuguesas continua sem dar sinais de alívio. Pelo contrário, a taxa de juro média cobrada nos novos empréstimos voltou a aumentar em Abril, apesar da descida dos indexantes no mês anterior, de acordo com os dados ontem publicados pelo Banco Central Europeu (BCE).

Para os empréstimos até um milhão de euros o custo médio aumentou de 6,55% para 6,62%, enquanto nos financiamentos superiores a um milhão de euros a taxa juro fixou-se nos 5,32% em Abril, acima dos 5,14% registados no mês anterior. Aumentos que surgem por via dos ‘spreads' cobrados pelos bancos, uma vez que a média da taxa Euribor a três meses - principal indexante nestes empréstimos - corrigiu 1,7 pontos base em Março. Os actuais valores já são mesmo superiores aos cobrados no final de 2012.

Nunca é demais relembrar Maurice Bardèche:
O inimigo é o dinheiro. O reino do dinheiro é o reino do estrangeiro; é também o reino do ventre. A primeira coisa que temos a dizer é que o valor de um homem não se conta em dólares, nem a grandeza de uma nação em cifras de exportações. Acima do dinheiro colocamos o homem, acima dos valores das vendas colocamos a disciplina e a energia. Na sociedade que pretendemos o negociante deverá ser como na Índia: de uma casta abastada mas pouco respeitada. Acima há o soldado, o militante, o trabalhador. Acima dele estão todas as pessoas que fazem algo por coisa nenhuma. Porque a grandeza de uma nação está nos homens dispostos a dar tudo sem nada pedirem em troca, o seu sangue, a sua vida, a sua acção…simplesmente pela honra. Quando uma nação já não tem homens desses, deixa de ser uma nação, não é mais que um aglomerado de interesses, uma sociedade por acções, com prisões e polícias.